Era um dia
como outro qualquer, isso se você estiver vivendo no meio de uma pandemia.
Estava indo para o trabalho, de máscara na cara, maleta na mão e uma apreensão
gigantesca na consciência, com a qual tenho convivido todos os dias desde que
essa doença surgiu, com medo de perder o emprego que sustenta minha família, minha
casa e não mais meu carro, porque decidi vendê-lo para ter um dinheiro extra depois do
grande corte de salário que me amarrou uma corda no pescoço, chamado orçamento
baixo e possível despejo.
Subo no meu
ônibus, quase vazio, pago por minha passagem e me sento no fundo , longe de
qualquer outra pessoa, pego o frasco de álcool em gel na minha maleta e passo
nas mãos para evitar entrar em contato com esse vírus nojento e repugnante que
me faz temer o futuro e perder o sono a noite.
Tiro um
cochilo e quando acordo meio perdido, percebo que meu ponto havia ficado para
trás. Corro então até o motorista e após uma certa insistência minha e
reclamação dele, ele para e eu desço. Agora corro para o trabalho torcendo para
que a sorte esteja ao meu lado e eu consiga chegar a tempo. Adentro correndo a
empresa e vou direto para a minha baia, me sento e começo a ajeitar meus
pertences, agora um pouco menos agitado. Começo então a checar os e-mails,
notificações e chamadas, me deparo com um e-mail de meu chefe, que pedia por
minha presença em sua sala quando chegasse à empresa. A agitação, o nervosismo
e a ansiedade voltam, a apreensão aumenta um pouco mais. Me dirijo para o escritório
do chefe, bato a porta e espero por uma resposta permitindo a minha entrada,
quando está é concedida, entro vagarosamente. Me sento em uma das cadeiras a
frente da sua mesa e então ele começa a falar, “Bom, você deve estar ciente da
crise que está sendo vivenciada no país e no mundo no momento..”, ele continua,
“E infelizmente a crise atingiu nossa empresa também”, confesso que não estou
gostando disso, porém ele ainda não tinha acabado, “Eu não fico feliz com isso,
mas infelizmente, você está demitido, sinto muito. Pode arrumar suas coisas e
ir para casa...”
A partir
daquele momento meu mundo parou de girar por pelo menos um minuto. Aquilo que
eu mais temia aconteceu. E eu não sabia o que fazer. Não tinha ideia de como
sustentaria minha família, meus filhos. Eu estava perdido. E tudo por causa
dele. Por causa de um vírus nojento e repugnante. Esse foi um dia como outro
qualquer no meio de uma pandemia.
(Bianca Lima Ferreira - 9º ano)
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